O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), fez declarações nesta sexta-feira (12) ressaltando a importância da base aliada do governo no Congresso e destacando a autonomia dos parlamentares em relação aos votos. Durante o lançamento do Programa Escolas de Tempo Integral, em Fortaleza, Lula afirmou que a base governista é testada a cada votação e nenhum deputado é obrigado a votar de acordo com a vontade do governo.
Lula respondeu a perguntas sobre o número de deputados que compõem sua base e afirmou ter 513 deputados e 81 senadores. Ele enfatizou que cada parlamentar será avaliado em cada votação e que não há obrigatoriedade de votar alinhado com o governo. Segundo o ex-presidente, os deputados têm o direito de ter pensamentos diferentes e propor emendas ou mudanças nos projetos, o que faz parte do jogo democrático.
No entanto, o governo Lula tem enfrentado dificuldades para consolidar uma base sólida no Congresso e aprovar as matérias propostas pelo Executivo. O senador Jaques Wagner, também do PT, afirmou que os parlamentares estavam acostumados com uma lógica nociva durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, do Partido Liberal (PL). Segundo Wagner, houve um desgaste da política e uma prática viciada no Congresso, em que votos eram negociados em troca de emendas.
Na semana passada, o governo Lula sofreu uma derrota na Câmara dos Deputados com a votação do Projeto de Decreto Legislativo (PDL) sobre o Marco do Saneamento Básico. O tema foi encaminhado para o Senado, onde será avaliado.
Lula ressaltou que a relação entre governo e Congresso deve ser civilizada e baseada em diálogo. Ele destacou que, quando se está no governo, é necessário tomar ações concretas, e não apenas ter ideias. O ex-presidente enfatizou a importância de entender que a Constituição brasileira estabelece a necessidade de o governo depender do Congresso, e não o contrário.
Em resumo, Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a autonomia dos parlamentares em relação aos votos e destacou que a relação entre governo e Congresso deve ser pautada pelo diálogo. O ex-presidente reconheceu as dificuldades que o governo tem enfrentado para consolidar uma base sólida no Congresso, mas ressaltou a importância de agir e buscar soluções no exercício do poder.