“Sem brilho”: como a imprensa internacional repercutiu a estreia de Ancelotti na seleção brasileira

Guayaquil – Quem esperava uma estreia triunfante de Carlo Ancelotti à frente da seleção brasileira saiu frustrado do Estádio Monumental Isidro Romero Carbo. No primeiro teste do ciclo que visa a Copa do Mundo de 2026, o Brasil não saiu do 0 a 0 com o Equador, em duelo válido pelas Eliminatórias sul-americanas.

Sob forte calor e em campo irregular, a seleção de Ancelotti teve dificuldades para imprimir seu estilo de posse de bola rápida. Os visitantes trocaram passes no meio-campo, mas falharam ao penetrar a sólida defesa equatoriana. Apenas duas finalizações visando o gol ameaçaram o goleiro Domínguez.

O treinador utilizou o 4-2-3-1, com Casemiro dando equilíbrio à frente da defesa e Lucas Paquetá tentando conduzir o jogo. Do lado esquerdo, Raphinha apareceu mais ativo, exigindo uma boa intervenção do goleiro adversário aos 32 minutos do primeiro tempo. No segundo tempo, Ancelotti promoveu as entradas de Antony e Rodrygo, mas o panorama tático quase não mudou.

A imprensa espanhola descreveu a atuação brasileira como “modesta” e destacou a dificuldade de Ancelotti em adaptar seu método ao jogo mais físico e veloz da América do Sul. O periódico Marca avaliou que “o melhor momento do jogo foi a estreia italiana fora de campo, com seu terno impecável, mas pouco refletido na performance da equipe”.

Na Inglaterra, o The Guardian observou que, embora a solidez defensiva seja um ponto positivo, “faltou ao Brasil a criatividade habitual e o instinto goleador que sempre encantou sob a camisa canarinho”.

A Gazzetta dello Sport, da Itália, lembrou que Ancelotti “chega com currículo invejável na Europa, mas o desafio em Guayaquil provou que nem mesmo os gigantes do Velho Continente têm respostas prontas para as armadilhas da altitude e do calor equatoriano”.

Do outro lado, o jornal francês L’Équipe apontou que “faltou intensidade ao setor ofensivo; a falta de entrosamento é compreensível, mas exige aceleração na próxima janela de convocações”.

Para Ancelotti, a prova de fogo serviu como diagnóstico. Em entrevista após a partida, o técnico admitiu que “a estreia não foi perfeita, mas é somente o começo. Precisamos trabalhar a transição rápida, envolver melhor nossos atacantes e entender como manter a posse em ambientes hostis”.

O empate deixa o Brasil em quarto lugar nas Eliminatórias, com 22 pontos ganhos. O próximo compromisso será em casa, contra o Paraguai, na Neo Química Arena, na terça-feira (10). Ancelotti promete mudanças no time e busca aliar o talento individual brasileiro ao pragmatismo que o consagrou na Europa.

A expectativa, agora, é ver se o treinador conseguirá construir uma identidade vencedora que mescle a técnica sul-americana com a disciplina tática europeia, condição essencial para retomar o prestígio nas competições internacionais.

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