Irã Acelera Enriquecimento de Urânio e Tensão no Oriente Médio Dispara

Relatórios da AIEA apontam avanço na produção de urânio enriquecido acima dos níveis permitidos, reacendendo temores de proliferação nuclear

Teerã / Viena – Dados recentes da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) revelam que o Irã vem ampliando significativamente sua capacidade de enriquecer urânio, elevando o teor de 60% para níveis ainda mais altos, próximos ao grau de pureza exigido para arma nuclear. A movimentação ocorre em meio à estagnação das negociações para reviver o acordo nuclear de 2015 (JCPOA) e provoca forte reação de Estados Unidos, União Europeia e Israel.

Logo após a divulgação do relatório da AIEA, em Viena, o porta-voz da Casa Branca classificou a escalada como “um passo perigoso que ameaça a estabilidade regional e mina toda possibilidade de retorno diplomático”. Autoridades norte-americanas já estudam novas sanções sobre setores-chave da economia iraniana – notadamente petróleo e bancos estatais.

Em Teerã, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Nasser Kanani, negou qualquer ambição militar e justificou o movimento como resposta às restrições e “atos hostis” feitos pelos EUA e seus aliados. “Sempre mantivemos um programa nuclear para fins pacíficos e continuaremos nisso, até que retornem ao respeito mútuo e suspendam unilateralmente as sanções”, declarou Kanani.

Contexto e riscos de proliferação
Com a saída unilateral dos EUA do JCPOA em 2018, seguida pela retomada de sanções severas, o Irã passou a violar progressivamente os limites de estoque e enriquecimento de urânio estabelecidos no acordo. Hoje, críticos advertem que, ao atingir concentrações superiores a 60%, o país se aproxima de 90% de pureza – ponto que pode viabilizar o projeto de uma arma nuclear em meses, e não mais em anos.

Segundo analistas de defesa, caso o Irã concretize essa capacidade, países vizinhos, como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, poderão buscar programas similares ou mesmo firmar parcerias militares com potências extrarregionais. Isso elevaria drasticamente o risco de corrida armamentista no Golfo Pérsico, hoje já tenso pela presença militar norte-americana e pela rivalidade entre Teerã e Riad.

Reações internacionais e próximos passos

  1. Estados Unidos e Europa – Reunidos em Bruxelas, ministros das Relações Exteriores do G7 apresentaram “plano de contingência” que inclui sanções adicionais e reforço do monitoramento da AIEA. A União Europeia avisou que Tehran “ultrapassou todas as linhas vermelhas” e não descartou medidas comerciais.
  2. Israel – O premiê Benjamin Netanyahu afirmou que “nenhum tombo de bomba será tolerado” e prometeu “resposta contundente” caso o Irã avance de fato rumo a armamento nuclear. Fontes militares israelenses sinalizam ter planos de adequar a defesa antimísseis e, em última instância, conduzir ataques preventivos.
  3. China e Rússia – Integrantes permanentes do Conselho de Segurança da ONU, ambos pedem diálogo e evitam pressionar Teerã, temendo que o colapso do JCPOA provoque caos geopolítico que afete seus interesses na região e o fornecimento de petróleo.

Enquanto isso, a AIEA anunciou inspeções extras nas instalações de Natanz e Fordow. O diretor-geral Rafael Grossi enfatizou que “a comunidade internacional ainda dispõe de uma janela para a diplomacia, mas ela se fecha rapidamente”. Caso Teerã impeça o acesso de inspetores, o assunto deverá voltar ao Conselho de Segurança, com potencial de impor sanções coletivas ou autorizar medidas mais duras.

Prognóstico
Em meio a esse clima de escalada, a retomada do diálogo parece distante. O Irã busca garantir suas sanções domésticas e regionais como moeda de troca, enquanto potências ocidentais pressionam por controle estrito e reconfiguração do JCPOA. Sem avanços concretos nas próximas semanas, o risco de confrontos diretos ou indiretos – via aliados no Líbano e Iêmen – torna-se a nova realidade do Oriente Médio.

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