Cinco meses separam o atual momento político do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), do início de sua malograda guerra eleitoral para barrar um ciclo de ascensão de poder do grupo político do senador Renan Calheiros (MDB-AL) em Alagoas. Tratado como um dos trunfos da também fracassada batalha de reeleição do ex-presidente da República Jair Bolsonaro (PL), Lira segue com arsenal político capaz de acreditar na garantia de apoio à sua reeleição no comando da Câmara, um refúgio dado pelo novo chefe do Palácio do Planalto, Lula (PT).
Reeleito deputado federal mais votado de Alagoas e campeão em percentual de votos no Nordeste, Lira cumpre um papel institucional crucial para o Brasil superar uma violenta crise de transição que ameaçou o resultado das eleições presidenciais, nos ataques aos Poderes da República em 8 de janeiro. Antes disso, foi decisivo para garantir ao novo governo petista a aprovação da PEC da Transição, ou do Estouro, que ampliou para Lula o teto de gastos em R$ 145 bilhões por um ano.
Bolsonaro ajudou Lira a virar a página de sua antiga aliança, ao não concluir seu mandato, após o ex-presidente não reconhecer a derrota, e não agir para conter parte de seus apoiadores mais radicais. Mas é pragmática a dupla contradição política de Lira, de obter apoio de Lula para sua reeleição como presidente da Câmara, e ter que manter, em Alagoas, canhões políticos voltados à ascensão do maior aliado do petista no estado, Renan.