Onze presidentes sul-americanos se reuniram em Brasília nesta terça-feira (30) e divulgaram, ao final do encontro, uma carta em que reafirmam seus valores compartilhados e concordam em aprofundar as discussões sobre a criação ou restabelecimento de algum mecanismo de cooperação que inclua todos os países da região. Esse compromisso está registrado na publicação conhecida como Consenso de Brasília, divulgada pelos ministérios das Relações Exteriores.
A carta, dividida em nove pontos, ressalta que os presidentes “reconhecem a importância de manter um diálogo regular, com o objetivo de impulsionar o processo de integração da América do Sul e ampliar a voz da região no mundo”. Os signatários propõem uma discussão mais ampla sobre formas concretas de cooperação, envolvendo a criação de um grupo permanente que ainda não foi definido. Eles decidiram estabelecer um grupo de contato, liderado pelos ministros das Relações Exteriores, para avaliar as experiências dos mecanismos de integração sul-americanos e elaborar um plano de integração da América do Sul, que será submetido à consideração dos chefes de Estado.
De acordo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após a reunião, esse grupo de ministros de Relações Exteriores deverá apresentar uma proposta em aproximadamente quatro meses. Em suas palavras: “Esse grupo que foi criado, composto por chanceleres, tem 120 dias para apresentar, na próxima reunião [de presidentes], as propostas que eles pretendem concluir”, declarou aos jornalistas.
Anteriormente, em seu discurso, Lula defendeu a retomada da União de Nações Sul-Americanas (Unasul). Criado em 2008, durante seu segundo mandato como presidente, e em meio ao surgimento de governos de centro-esquerda, o grupo chegou a incluir todos os países da região, mas acabou se desintegrando ao longo do tempo, devido às mudanças de governos em vários países. Atualmente, a Unasul conta apenas com sete países: Venezuela, Bolívia, Guiana, Suriname, Peru, Argentina e Brasil, que recentemente voltaram a integrar o grupo.
No entanto, a retomada da Unasul não é consenso entre os líderes da região.