Faltou articulação política, avalia cientista político sobre indicação de Aline ao TCM

Com o apoio e articulação do atual ministro da Casa Civil e ex-governador da Bahia, Rui Costa (PT), a candidatura da ex-primeira-dama Aline Peixoto à vaga no Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) foi dada como favorita antes mesmo de ser oficializada na Assembleia Legislativa (Alba).

A ex-primeira-dama que disputa a vaga com o ex-deputado Tom Araújo (União Brasil) pode sair vitoriosa da disputa eleitoral ou não, no dia 8 de março, quando acontece a votação na Casa Legislativa.

Apesar do favoritismo entre a base governista, o nome de Aline passa por controvérsias dentro da própria base partidária. Para um dos caciques petistas, o senador Jaques Wagner, a candidatura da ex-primeira-dama, ao seu crivo, não é aprovada. Nesta mesma linha, segue o deputado federal Valmir Assunção (PT), que em conversa com o bahia.ba, afirmou que “se eu fosse o ministro Rui Costa, eu não indicaria minha mulher para o TCM” e concordou com a declaração de Wagner ao Metro 1.

O imbróglio em torno da nomeação de Aline Peixoto ao TCM pode ser visto como falta de articulação política dentro da própria legenda, como afirma o cientista político, Cláudio André, doutor em Ciências Sociais pela Universidade Federal da Bahia (UFBA).

“Me parece que faltou articulação política, para que ela se apresentasse para a sociedade, as lideranças políticas, os parlamentares da Alba, de uma forma, que ela abrisse o discurso político-partidário, já que ela não tem uma militância político-partidário”, disse ao bahia.ba, nesta segunda-feira (27).

Para Cláudio, que também é professor de Ciência Política da UNILAB, a candidatura da esposa de Rui Costa ao TCM é legítima, mesmo com algumas arestas deixadas durante o processo de articulação política.

“Apesar da relação conjugal dela com o ex-governador Rui Costa e atual ministro, é importante destacar aqui que não há nenhuma vedação a ela para estar pleiteando este cargo. No entanto, no processo de articulação política, eu vejo que teve uma fragilidade enorme, sobretudo, dentro da perspectiva da dimensão político-partidário”, afirmou.

Segundo o cientista político, a candidatura da ex-primeira-dama abriu um leque de questionamento sobre as intenções à frente de um órgão público.

“De alguma maneira, isso abriu toda essa discussão, se há um projeto que é praticamente pessoal ou se tem um um projeto mais amplo. Isto é, ela se colocando como representante de grupos que viabilizem a sua ascensão como servidora, sobretudo, de um cargo vitalício”, pontuou.

Possível desgaste no PT baiano

As corridas eleitorais para o TCM escancarou alguns pontos sensíveis dentro do PT baiano, dentre eles estão a falta de diálogo entre os políticos da própria base, como ficou claro nas declarações de Wagner e na de Valmir Assunção.

Para o professor de política da Unilab, Cláudio André, a possível “rachadura” dentro da sigla pode afetar na governabilidade de Jerônimo Rodrigues (PT).

“Esse sim, pode ter um impacto na coesão política na base aliada, sobretudo, no partido do governador. É importante que o partido esteja coeso, sem arestas neste início de governo”, ressaltou o cientista.

Segundo ele, “a forma como a candidatura [Aline Peixoto] foi apresentada e demandada, é possível perceber que ela não passou pelo debate do PT”, avaliou.

Ainda conforme Cláudio, uma das questões que estão pesando acerca do nome da ex-primeira-dama é a “forma como Aline construiu a sua gestão, a sua postura à frente deste cargo de primeira-dama”. Em conversa com alguns deputados e figuras da política estadual, eles revelam que “ela [Aline Peixoto] foi se isolando, sobretudo, do [âmbito] político-partidário”, contou.

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