Moraes dá cinco dias para PGR opinar sobre recursos de Bolsonaro contra restrições políticas e suspensão de visitas de Flávio
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu cinco dias para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre recursos apresentados pela defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro contra as determinações do magistrado que restringiram a atuação política do antigo mandatário durante as eleições de 2026 e suspenderam as visitas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
No primeiro recurso, Bolsonaro contesta a decisão que proibiu, até o fim das eleições gerais de 2026, o recebimento de visitas com finalidade político-partidária e a divulgação de manifestações político-eleitorais por qualquer meio. A defesa sustenta que a suspensão dos direitos políticos do ex-presidente não autoriza restrições à liberdade de pensamento e de manifestação de ideias e afirma que a decisão amplia indevidamente os efeitos previstos na Constituição.
Os advogados argumentam ainda que impedir Bolsonaro de transmitir suas opiniões a terceiros equivale, na prática, a restringir a circulação de ideias, e citam como precedente a situação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2018, quando, preso, teve cartas divulgadas publicamente e recebeu visitas de lideranças políticas durante o período eleitoral. Também alegam que a expressão “visitas com finalidade político-eleitoral” é vaga e incompatível com as garantias do devido processo legal.
Em outro agravo, a defesa pede a revogação da decisão que suspendeu por 90 dias as visitas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao pai. A restrição foi determinada após a divulgação, nas redes sociais, de uma carta manuscrita escrita pelo ex-presidente. Os advogados afirmam que Bolsonaro não sabia que o documento seria publicado e lembram que, em dezembro de 2025, uma correspondência semelhante foi divulgada sem que houvesse questionamento sobre eventual descumprimento das medidas cautelares.
A defesa também afirma que a suspensão das visitas é desproporcional e viola o direito previsto na Lei de Execução Penal de receber familiares. Além disso, sustenta que Flávio Bolsonaro atua como advogado do pai e que a medida também interfere na relação entre cliente e defensor, pedindo, subsidiariamente, que ao menos sejam preservadas as prerrogativas profissionais do senador na condição de advogado constituído.
